Em 2025, o e-mail marketing continua a ser uma das ferramentas mais eficazes no digital. Mas com caixas de entrada cada vez mais cheias, o desafio não está só em escrever um bom copy ou ter um bom título, está também no design e na experiência que ofereces a quem abre o e-mail.
Neste artigo, partilho contigo as principais técnicas de UX aplicadas ao design de e-mails, focando naquilo que faz mesmo diferença: acessibilidade, responsividade, hierarquia visual, compatibilidade e clareza.
1. O design não pode atrapalhar a leitura
O foco deve ser sempre facilitar a leitura. Um e-mail mal estruturado, com demasiado texto ou elementos confusos, faz com que a pessoa o feche em segundos.
Tens de garantir que:
- O conteúdo principal é percetível à primeira vista.
- Os títulos estão bem destacados.
- Os parágrafos são curtos e com bom espaçamento.
- Há espaço branco suficiente (respiro visual).
Se o utilizador tiver de se esforçar para perceber a mensagem, já falhaste.

2. Mobile first: mais importante do que nunca
Mais de metade das pessoas abre os e-mails no telemóvel. Isto significa que o design tem de ser feito a pensar no mobile desde o início, não como uma adaptação final.
Boas práticas:
- Usar fontes legíveis (mínimo 14px).
- Garantir que os botões são fáceis de clicar (pelo menos 44px de altura).
- Evitar layouts com demasiadas colunas, opta por uma estrutura simples e vertical.
- Testar sempre em diferentes tamanhos de ecrã.
3. Compatibilidade com diferentes clientes de e-mail
Gmail, Outlook, Apple Mail… cada cliente interpreta o código de forma diferente. E isto afeta tanto o design como o comportamento dos elementos.
Algumas boas práticas:
- Utiliza tabelas para estruturar o layout (sim, ainda são o mais fiável).
- Evita usar CSS moderno ou scripts, mantém tudo simples.
- Aplica estilos inline (não em <style> no header).
- Define cores e fontes com fallbacks por segurança.
Ferramentas como o Email on Acid ajudam-te a ver como o teu e-mail aparece em dezenas de plataformas diferentes.
4. Preparar o design para o dark mode
Cada vez mais utilizadores ativam o modo escuro, seja por conforto ou por definição do sistema. E se o teu e-mail não estiver preparado, pode ficar ilegível.
O que fazer:
- Evita texto em imagem, usa HTML sempre que possível.
- Usa imagens com fundo transparente (PNG).
- Testa cores de texto e fundo com bom contraste em ambos os modos.
- Usa media queries e preferências de cor para adaptar estilos.
5. Hierarquia visual e foco no CTA
Um bom e-mail tem uma hierarquia visual clara. O utilizador deve perceber rapidamente:
- Qual é o assunto.
- Qual é a mensagem principal.
- Onde clicar, se quiser agir.
Dicas práticas:
- Usa tamanhos diferentes para destacar títulos, subtítulos e corpo de texto.
- Usa o negrito com intenção.
- Dá espaço entre os blocos.
- Garante que o CTA se destaca. Cor, forma e posição são importantes.
6. Acessibilidade: mais do que uma “boa prática”
A acessibilidade no e-mail ainda é muitas vezes ignorada, mas pode ter impacto direto nas tuas taxas de cliques.
Coisas simples como:
- Texto alternativo nas imagens.
- Botões com contraste suficiente.
- Leitura fluida para leitores de ecrã.
Se queres que mais pessoas interajam com os teus e-mails, garante que eles funcionam para toda a gente.
7. Ferramentas que te ajudam
Estas são algumas das ferramentas que uso ou recomendo para facilitar o processo:
- MJML – framework para criar e-mails responsivos com menos código.
- Email on Acid – testar em diferentes clientes de e-mail e dispositivos.
- Stripo – editor visual que gera HTML limpo e exportável.
- Code Pen – escrever, testar e partilhar código em tempo real.
Conclusão
O e-mail marketing não vive só de bom conteúdo. Um design com boas práticas de UX pode ser a diferença entre ser ignorado ou gerar conversões.
Em 2025, já não é opcional pensar em mobile, acessibilidade ou dark mode. É parte do processo. Se trabalhas em web design ou desenvolvimento, ter estas técnicas em mente vai ajudar-te a criar campanhas mais eficazes, mais consistentes e com mais impacto.



